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4 de Julho de 2022

Quais os sintomas da alienação parental? Como se deve proceder nesses casos?

Direito Familiar, Operador de Direito
Publicado por Direito Familiar
há 6 anos


Quando surge a suspeita de prática de alienação parental por um dos genitores, alguns sintomas podem ser identificados na criança vítima desta situação, tais como: ansiedade, nervosismo, agressividade, depressão, transtorno de identidade, falta de organização, isolamento, insegurança, dificuldades de aprendizado, sentimento de culpa, desespero, dentre outros, que podem, inclusive, levar o indivíduo vítima da alienação parental, à inclinação às drogas e ao álcool e até mesmo ao suicídio nos casos mais graves.

Quanto ao genitor alienador, os sinais que devem ser observados, a fim de verificar se realmente está praticando atos de alienação, são: negar o acesso do outro genitor ao filho, impedindo a realização de visitas; falsas denúncias de abuso sexual; desejo de manter o controle pela família; tratar de assuntos conjugais na frente do filho procurando denegrir a imagem do outro genitor; dentre outros que visam provocar o afastamento do filho da figura do genitor alienado.

Segundo Maria Berenice Dias, referência no Direito de Família:

“Grande parte das separações produz efeitos traumáticos que vêm acompanhados dos sentimentos de abandono, rejeição e traição. Quando não há uma elaboração adequada do luto conjugal, tem início um processo de destruição, de desmoralização, de descrédito do ex-cônjuge. Os filhos são levados a rejeitar o genitor, a odiá-lo. Tornam-se instrumentos da agressividade direcionada ao parceiro. A forma encontrada para compensar o abandono, a perda do sonho do amor eterno, acaba recaindo sobre os filhos, impedindo que os pais com eles convivam.”. 1

Em outro artigo, a exímia doutrinadora Maria Berenice Dias elucida que:

“Ao ver o interesse do pai em preservar a convivência com o filho, quer vingar-se, afastando este do genitor. Para isso cria uma série de situações visando a dificultar ao máximo ou a impedir a visitação. Leva o filho a rejeitar o pai, a odiá-lo. A este processo o psiquiatra americano Richard Gardner nominou de ‘síndrome de alienação parental’: programar uma criança para que odeie o genitor sem qualquer justificativa. Trata-se de verdadeira campanha para desmoralizar o genitor. O filho é utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro. A mãe monitora o tempo do filho com o outro genitor e também os seus sentimentos para com ele. A criança, que ama o seu genitor, é levada a afastar-se dele, que também a ama. Isso gera contradição de sentimentos e destruição do vínculo entre ambos.”. 2

Diante das particularidades de cada caso, como estamos falando do comportamento de pessoas, é indiscutível a necessidade de uma avaliação psicológica dos envolvidos, a fim de verificar efetivamente a ocorrência da prática da alienação parental, bem como o desenvolvimento da síndrome pela criança.

Como se deve proceder diante de um caso de alienação parental?

Uma das maneiras de proteção é sempre buscar salvaguardar o melhor interesse da criança, respeitando a sua idade, seu desenvolvimento, protegendo de futuros conflitos entre os pais e facilitando a comunicação entre ambos.

Maria Berenice Dias preceitua que:

“A alienação parental é tida como um descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes do dever de tutela ou guarda. Sendo assim, havendo indícios de sua prática, está prevista a realização de processo autônomo, com tramitação prioritária e a realização de perícia psicológica, cabendo ao juiz determinar medidas provisórias necessárias para a preservação da integridade psicológica da criança ou adolescente.”. 3

O papel dos pais em um momento de separação é preservar os filhos dos dissabores e conflitos oriundos do término de um relacionamento. A criança não tem culpa e nem deve sofrer consequências decorrentes da imaturidade dos pais em não resguardar os filhos dos desentendimentos havidos entre eles. Os filhos devem sempre ser poupados das intrigas e desentendimentos dos pais e, caso haja desconfiança quanto à prática de alienação parental, imprescindível a realização de acompanhamento psicológico de todos os envolvidos, e se necessário devem os genitores recorrer ao Judiciário a fim de buscar meios de coibir a prática da alienação parental.

Texto originalmente publicano no blog www.direitofamiliar.com.br

_________________________________________

1DIAS, Maria Berenice. Alienação parental e suas consequências. Disponível em:.

2DIAS, Maria Berenice. Síndrome da Alienação Parental, o que é isso? Disponível em:

3DIAS, Maria Berenice. Alienação parental e suas consequências. Disponível em:.

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2 Comentários

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Boa tarde!
Meu marido está com problemas nesse caso..
Desde o dia em que a ex dele pediu para mudar de cidade é levar a menina, viro uma bagunça..
Começamos a ter problema para ficar com a menina.
É tudo do jeito dela, vemos a cada 15 dias pela lei. Mas as vezes ela manda mensagem no fds seguinte que a criança está com saudades é se podemos buscá-la.. Quando a menina está com a mãe, pedimos para a mãe se a menina pode nos ligar, ela vê a mensagem é nao nos responde, as vezes liga no dia seguinte ou quando a precionamos por nao responder diz que quando a criança quer falar ela pede pra ligar!
Quando é com ela é ao contrário, exige que a menina fale com ela..
Como disse em cima.. foi feito o acordo, mas por ela ser a mãe, a beneficiou demais..
Vemos a menina a cada 15 dias e as férias são divididas é etc..
Mas a vezes fora do acordo ela nos pede para buscaremos a menina, as vezes em cima de hora. Não ligamos pois a amamos. Mas quando ela está conosco e ela não quer ir embo rea e pedimos mais um dia a mãe já reclama impondo condição ou se negando a deixar.
Ela pede coisas além da pensão.
Antes da pandemia a menina estava na creche, sendo que a mãe nem trabalha. Ela sobrevive da pensão.
Algumas coisas aceitamos porque temos medo dela usar contra nós, usando alguma justificativa que ela se passe por coitada.
Mas até onde podemos aceitar essas atitudes de má fé. Usar um filho acho na minha opinião umas das coisas mais desumanas..
Se puder me ajudar, desde já agradeço! continuar lendo

Diga pra seu marido nunca desistir da filha.

Moro no nordeste e visito meu filho 3 vezes no ano em São Paulo,
Sofri por 4 anos sem ver o meu filho por causa da mãe dele mudando de endereço. Mas desde que ele nasceu ela não queria que eu o visitasse então eu comecei a fazer BO com testemunhas. Fiz muitos BO nas delegacias e com ajuda desses amigos testemunhas finalmente a justiça emitiu ordem de prisão pra ela, aí foi quando ela resolveu me ligar e passar o novo endereço já em outra cidade a mais de 800 km de São Paulo.

Recentemente ela está dando indícios que começou de novo a psicose de continuar a alienação.
Uma coisa bem clara eu deixei pra ela NÃO VOU DESISTIR DE VER O MEU FILHO que hoje está com 8 anos.

Não informei o endereço dela pra justiça pra evitar que ela fugisse de novo e pela demora do processo eu iria ficar mais dois anos sem vê-lo até a conclusão. Essa foi uma orientação do advogado que eu não queria cumprir.
Por mim ela já estaria presa pela situação psicológica e sofrida que submeteu o meu filho subnutrido, sem roupas e catarrento apesar da boa pensão que é descontada no meu pagamento pra ela usufruir ao bel prazer dela. continuar lendo